Para cima,para baixo, na mesma rua .As pedras contadas e recontadas até dez. Uma porta sem numero,a porta das almas.No fim da rua, a casa do perdão.Os sinos,o eco das missas . A balada das horas.Tudo pela rua abaixo, da rua que subia.... Os passos do senhor,a comunhão,o casamento ao fim da rua que era um largo. O cheiro a petróleo,a cantilena,meio litro,meio litro.O balcão gigante,grande demais como se fosse o pé de feijão.Meio...meio...tudo era esquecido.Os tostões para o recado,trazer o troco,não esquecer...meio litro,meio litro.Todo o esquecimento em troca da audácia.Tombalalão cabeça de cão,para a frente,para trás,um galho na árvore,o baloiço secreto.O candeeiro sem petróleo.Só mais um pouco,tombalalão cabeça de cão. Meio litro de petróleo,a mãe pediu o troco,o troco num papel que servia para curar a tosse. dois tostões de pau de cebo para dar brilho às botas.Tanta coisa para meio palmo de gente.Uma história,um futuro brilhante no meio do caos. Meio litro...o troco...tanto num corpo franzino que era mulher. A laranjeira dos segredos,o choro, o baloiço, o tombalalão cabeça de cão...
Célia M Cavaco / Desvios
