terça-feira, 16 de agosto de 2016














Um beijo que marcasse a alma.Que deixasse sequelas,que fizesse querer mais.Mas só tinha um beijo,um beijo de saber como,tinha de ser o beijo, o primeiro da adolescência. De tão tímido,o beijo passou ao lado do que era de esperar.A sensação foi incompleta,esperava ver as estrelas,ouvir a musica tocada no coreto do jardim...depois,continuar de mãos dadas até olharmos-nos nos olhos e ver a ternura no sol , como se ele nos pertencesse. Foi um inacabado desejo que ficou,apesar de outros, descobrimos mutuamente a nossa timidez e o medo de sermos descobertos.A idade bonita do faz de conta.Colocavas o braço por cima do meu ombro, sonhava que era a tua namorada todos os dias,fossem eles de chuva ou sol,seria para sempre a tua namorada.Quanto tempo contamos os momentos em que soubemos dar as mãos?...Tantos,que surgiu o beijo,o beijo que estava escrito na noite de lua cheia,a lua iluminou-nos o rosto, os sorrisos do amor frágil e descoberto no contentamento.Um dia,na mala, a viagem para outros rumos.Passaram os anos,crescemos sem nos voltarmos a ver. Apeteceu-me hoje recordar-te,e saber do beijo plantado naquela noite de todas as estrelas e luzes que iluminaram por instantes o primeiro beijo de amor dado na desobediente adolescência.Que é feito de ti? onde estás?...









Célia M Cavaco / Desvios