Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Guardo nos caminhos as horas de espera.Os voos no ocaso fintados no refúgio da noite
As memórias, o relógio de parede,o tic tac sincronizado do acordar ainda noite.O chegar das horas. O Outono que ilumina outras tonalidades, a entrada das folhas caídas do regaço das árvores O vento leve que varre o tempo de outro tempo.As aves que se vão,as que regressam vindas ao encontro da estação. O abraço e os cheiros aromatizados dos frutos secos. A romanzeira a dar a fruta da fertilidade e prosperidade. Os bagos que pintam os lábios. A outra estação,o frio, o desconforto das ausências.Festejar o nascimento,as luzes que se acendem e apagam numa janela,a mesa sem ser de todos .Os paladares recheados, o linho bordado a cobrir os sonhos . O tempo envelheceu,as estações vão e vêem como se nada se passasse. O nascer e o cair da folha,a saudade e as recordações conjugadas. Chorar e rir, o carrocel de muitas voltas numa só viagem.
Célia M Cavaco / Desvios
Art by, Stephen Darbishire
