sexta-feira, 4 de março de 2016






Hoje, apeteceu-me deitar o corpo, ficar na cama,ouvir música... Fingindo ausência, fecho-me ao mundo.Há dias assim,em que me desconheço,em que pôr o pé no chão é como entrar num abismo.Tento rever toda uma vida,ou quase uma vida.Neste momento é assim que estou.De olhos fechados visualizo todos os lugares por onde passei, e todas as pessoas que fizeram parte dessas minhas viagens.Inevitavelmente,quase em transe, entro no teu corpo,é uma das sensações que ainda me faz sentir viva. É nestes momentos que o corpo estremece,logo hoje, que eu queria que o corpo descansasse. Abro os olhos, numa recusa decido fechar a janela da alma,se é que a alma tem a ver com o que quer que seja.Esta mania religiosa de ver as coisas é uma reminiscência constante.Há muito que decidi afastar-me das orações e da moral das coisas.Comecei a ficar cansada de ti...O meu corpo, hoje, cansou-se da vida que lhe davas,hoje,somente hoje,quero,sem querer coisa alguma,descansar da minha suposta inteligência,nada melhor que fingir ser ignorante,afastar-me do que me inquieta,afinal,é só mais um dia de puro cansaço,nada mais que isso...










Célia M Cavaco / Desvios 











Photo: Alessio Albi