Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
quinta-feira, 3 de março de 2016
Porque terei eu que ser nada,se tudo em mim brota como semente no meu coração alado? Sou vento que leva a flor,flor que o vento arrancou à terra.
Ah,se eu soubesse antes,que o vento me levaria longe,que eu sem forças iria nas folhas do vento,teria sido firme e convicta na vontade de ficar,e não de partir sem um adeus.
Nunca serei árvore porque não quero morrer de pé. Tenho em mim os sonhos que costuro e alinhavo nos meus sonos tardios. Neles sou princesa,rainha,ou uma simples borboleta que morre no voo distante e solitário.
Ah, se a saudade fosse púrpura,o meu rosto seria uma papoila num campo de flores silvestres. O sol faria de mim sorrisos arrancados no brilho dos teus olhos.
Se eu soubesse que a chuva limpava o rosto,as lágrimas seriam cristais nas tuas mãos. Que o beijo,ah,o beijo seria o segredo entre todos os outros que as aves levam no voo da tarde. E eu,que na tarde onde pouso o descanso,fico parada no tempo sonhando que sou nada...não posso querer nada...porque sou sonhos ainda por escrever naquela tarde / noite que ainda acordada sonhava que era vento e na brisa soprava o beijo que me deste.
Célia M Cavaco / Desvios
Photo: Cristina Coral
