Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
O fado castiço fadou a madrugada,
o corpo curvado sobre a manta,
os jornais sem ardina desta Lisboa
sem amo perdida nos passos da Sé.
Santo milagreiro abençoa casamentos,
seu nome Fernando,conhecido por
António,tornou-se santo das festas
de Lisboa nas quadras populares
nos cheiros do manjerico ao fumo
da sardinha assada à caneca do
vinho tinto nas ruelas de bairro.
As sete colinas calcorreada pelas
varinas de voz rouca no pregão, ó
freguesa tenho do melhor que há...
Calçadas desenhadas, trabalhadas por mãos
calejadas dão a cor do corvo à Lisboa
encantada na canção da gaivota, ao poeta
castrado,ao cacilheiro no mar agitado
ao cravo da liberdade,Lisboa de amores,
de cheiros do oriente,de fé e conquistas.
Padroeira Nossa Senhora da Conceição aos
Painéis de São Vicente,São Carlos,Dª Maria
à Revista popular,gentes cosmopolitas da
Lisboa capital.
Amor cantado à desgarrada, nas tascas
de esquina à revista dos actores nesta
Lisboa de encantos, de poetas e boémios,
de passerelle no Chiado,do alto do seu
castelo é rainha.
Lisboa menina e moça,de encantos mil,menina...
Célia M Cavaco / Desvios
Photo: Edward Gordeev
