quarta-feira, 28 de outubro de 2015





Mãos vazias.Outrora as mesmas mãos, repartiam todo o amor que podiam guardar.Cobriam o rosto com o afago dado no momento certo.Vestiam o corpo frágil sem vontade de viver.Um corpo que queria partir...As mãos tinham um amor maior para cuidar,para aquecer o coração com a bondade na ponta dos dedos. As mesmas mãos,hoje, abrigam uma dor repartida,a privação de se sentirem inúteis na vontade de continuar a aliviar o desalento no rosto onde o sofrimento é ruído.Há mãos voluntárias ao amor.O dar sem receber,é a maior recompensa das mãos que amam e cuidam. As mãos, são palavras com gestos, irradiam suavidade na escuridão de quem só sente com o coração.Na ponta dos dedos, depositam-se dúvidas e desamparo quando as memórias são apenas rumores.Sem ver,as mãos dão todo um colorido no reflexo de um olhar inexistente...






Célia M Cavaco / Desvios




Imagem: Wallpapers (Hands)