Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Quando a despiu,surpreendeu-se que a nudez tivesse uma marca.Tacteou com a mão toda a cicatriz que cobria uma grande parte do corpo. Chorou pelo momento intimo. Cada beijo,foi uma secção de cura.Um limpar de emoções estranhas e escondidas.Quando o amor vê a beleza interior,e cuida da exterior com um cuidado tão terno que valoriza a intimidade do toque...É esse amor que dói, custa pensar quanto dura a eternidade.Querer que fique para sempre, sabendo que um dos dois cumprirá uma partida marcada sem seguro.É tornar perpétuo a recordação desse amor. Aos poucos,a dor amansa. Segurar a mão que suaviza a cicatriz exterior,quando é a cicatriz interior que curou...Todos os galhos quebrados,como um emaranhado de gestos vazios.
Célia M Cavaco / Desvios
