Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Devia ter-te confessado o quanto gostava de ti.O tempo passou,e a cobardia foi superior à coragem. Todo o tempo em que te senti como uma filha mais velha,preocupei-me em dar-te conforto,cuidar,tapar-te quando adormecias, desejar-te a boa noite, aconchegar-te para que te sentisses confortável nas noites frias de inverno.Ficavas como um bebé.Eu tentava adormecer,sabendo que ficaria em alerta com medo que me chamasses e não ouvisse a tua voz. Quantas vezes me levantei,com a sensação de ouvir o meu nome e verificar que dormias com uma respiração tranquila e serena? Foram tantas noites,era como um serviço nocturno,estava sempre em alerta. Ainda hoje, acordo com a sensação de te ouvir, e levanto-me apressada para ver que tudo está diferente. Dizem,que quem ama cuida,talvez tenha sido essa a maior prova de amor que consegui expressar .Foi nos gestos que disse tudo o que o coração calou.
Célia M Cavaco / Desvios
Arte: Monteserrat Gudiol
