sábado, 16 de outubro de 2021



Por vezes sinto-me pequena perante o tamanho do que chamo o fim da linha. Não no tamanho, porque não nos medimos pela grandeza, ou pela altura. Pequena porque sou uma pedrinha neste universo enorme onde tudo acontece, e não é por acaso, talvez em forma de pequena pedra esteja a ser testada ao limite. Ser pedra é fazer parte dum todo na natureza. Sou uma parte da natureza, a pedra, ou a pedrinha pelo seu pequeno tamanho talvez esteja destinada quiçá, a ser algo que com a evolução me torne na mão de alguém uma espécie de talismã, daí, possa dar felicidade a alguém. Dar felicidade... como se a felicidade se pudesse dar ou trocar como um bem material...Creio que se assim fosse, todos nós crentes, uns quantos com fé, outros como meros pedidos urgentes para satisfazer a causa perdida ,pediríamos a felicidade eterna, Deus, não teria descanso para tamanha execução de pedidos mais ou menos de uma fé criada no momento. A fé move montanhas, dizem, não acredito, talvez Deus esteja noutro lado do mundo, muito, muito, longe...
Até há pouco acreditei que por ser uma razoável crente tinha o mundo aos pés, pouco exigente deixava-me contente com o mínimo, o necessário era me bastante. A vida é por si só feita de ciclos, renováveis ou não ,os ciclos ainda que tempestuosos trazem uma aprendizagem. É necessário deixarmos o ciclo complementar-se com a evolução tão necessária para a transformação pela qual "quase" todos temos de passar, nada nos pertence, nada é divino ,tudo se transforma ,tudo nos modifica, nada é eterno. Há pedras preciosas que só têm o valor da vaidade de quem as usa, outras há, de tão simples e bonitas ornamentam o lado positivo com que a agarramos na mão como se tivéssemos "Deus" guardado numa das mãos onde a fé cabe num pequeno instante de necessidade útil... falar dele é crer na sua existência, muito embora, saiba que Deus é todo o universo, e eu, como pedrinha pequena que sou, em humildade despojada de toda e qualquer forma de querer ser maior, contento-me em pedir-lhe, deixa-me ser somente e humildemente uma pequena pedra em forma de estrela no coração de alguém...que faça o coração bater pela razão. Em tudo há uma forma de existirmos. Talvez, por um acaso... longe daquilo que desejo, fico esperando pelo muito ou pouco que me seja dado sem que peça mais do que mereço. As pedras também se sabem perder até serem achadas nesse ciclo ao qual eu pertenço (...)








Célia M Cavaco,In DESVIOS







arte: (?)