segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018



Ao ler um livro de José Luís Peixoto procurei na biblioteca outros livros deste mesmo escritor que já antes me tinha despertado interesse com o livro Cemitério de Pianos.Não estando disponível o livro que eu queria,peguei na secção de poesia, o livro, A Criança em Ruínas e Uma Casa na Escuridão.Fiquei fascinada com a escrita do José Luís Peixoto.Para dar a possibilidade de outros poderem ler este escritor, devolvi muito antes da data os respectivos livros à biblioteca,não sem antes deixar por escrito num papel que poderia servir de marcador a quem viesse ler um destes livros uma nota de escrita
Mas a história começou quando lia algumas páginas do livro e reparei que tinha passagens sublinhadas a lápis de carvão.No papel que deixei dentro do livro,escrevi: Porque sublinham um livro que não lhes pertence?...
Voltando à biblioteca quase vinte dias depois,procurei trazer os mesmos livros para reler algumas passagens que me tinham agradado.No livro que antes tinha deixado uma nota,havia no mesmo papel uma resposta curiosa:Sublinhei tudo o que li deixando que a minha alma voasse de encontro às personagens,quis por momentos conhecer o autor,quis entender como pode um livro tirar-me o sono e levar-me a divagar na poesia ali escrita com a alma do escritor que passou a ser um pouco minha também.
Fiquei com o dito papel,mas deixei um outro com a seguinte resposta: Como o entendo,pois ao ler José Luís Peixoto também eu voei pela sua escrita,e cada frase sublinhada fez -me cúmplice desse subtil sublinhado como se estivesse a ler em voz alta cada verso, e a poesia, nos chamasse a partilhar diálogos improváveis.Não sublinho,mas peço que leia o paragrafo da página vinte onde deixarei este papel como marcador.
Passou o tempo,tempo de ler outros dois livros do mesmo autor.Voltei à estante da poesia,procurei ansiosa pelo livro que tanto me despertara .
interesse e lá estava no meu papel marcador a resposta que eu tanto procurava...
Minha cara leitora,tal como referiu, li a passagem que me indicou.Curioso como lemos o mesmo livro,e como conseguimos, sem nos conhecermos compreender de maneira diferente este escritor,é como se estivéssemos em simultâneo a reescrever um livro imaginário a quatro mãos onde nos expomos num sublinhar palavras que nunca chegaremos a compreender,uma vez que ler é também namorar o poeta,o escritor que nos enfeitiça com a sua escrita.Este mundo literário é um labirinto de afectos.Desejo que continue a ler, e se possível, quero que entenda que numa das muitas cadeiras aqui expostas, eu vi o prazer com que manuseou o livro, um cuidado que admirei à distância.Com esperança de volte o olhar para o lado contrário da estante onde estavam os livros que tanto procurou, há um livro que gostaria que lesse,é um livro diferente mas muito interessante:Ouvir,Falar,Amar de Laurinda Alves,acredito que vá gostar e entender todo o seu conteúdo.Tudo se passa demasiado depressa,ainda assim dê tempo ao tempo para poder de algum modo dar-me o feedback desse livro que lhe sugiro.Boas leituras cara amiga.Um até breve nesta arte de nos sabermos tal como Miguel Ângelo uma obra por acabar,porque ler é viajar sem sair do lugar.Um lugar mágico,um encontro de palavras onde tentamos conhecermo-nos neste imaginário da literatura







Célia M Cavaco,In Acasos