Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
segunda-feira, 13 de março de 2017
Depois de um tempo infinito escutando o silêncio,os sentidos despertaram para uma direcção inesperada. A máscara negra pendurada na parede pareceu deslocar-se por um vento inexistente. Um rosto esculpido em madeira de pau preto onde feições delineadas mostravam a juventude do modelo.Há muito tempo,tanto,que a memória guardou num recanto proibido.De repente; o espaço aqueceu, o calor afogueou-lhe o rosto, o corpo cedeu à temperatura abrasadora na pele virgem de sol.Sentou-se ao lado do jovem que fazia um trabalho mágico como se fosse um artesão experiente.Cada gesto seu era trabalhado pausadamente na madeira com arte e mestria.Tantos anos separados por ventos de distância. Quantos silêncios escritos num conflituoso desassossego fizeram o retorno ao princípio no tempo que foi.
Célia M Cavaco / Desvios
