quarta-feira, 4 de maio de 2016





As minhas mãos estão a envelhecer, a ganhar calo de afectos envelhecidos. Sobram os dias em que faziam gestos,embalavam o berço,amamentavam  a vida de esperança fazendo crescer o amor. As minhas mãos não estão calejadas de enxadas,nem de trabalhos forçados. As minhas mãos de ontem,eram ternura,hoje são afagos em gestos pausados. Sobreviveram, deram ternura à ternura nos dias de lágrimas.Os amores que delas saíram, cresceram,ganharam asas,voaram para outros gestos. As minhas mãos, deram vida à vida,os anos contam-se por cada ruga que enfeita a pele. O vermelho,a cor que ainda embeleza a idade que não têm...














Célia M Cavaco / Desvios