A cidade,pedra,chão,entre os passeios a confusão.Pessoas,gentes ofegantes de lá para cá.De encontro, a desencontro, o empurrão não se sabe de quem.São pessoas,ou não,possivelmente agiotas do tempo.O relógio de sol, passa do meio dia a panela vazia,os ponteiros parados na fome que passou.O pão seco e duro,a água estagnada nem para o banho dos pés serve. São sinais dos tempos,um colchão de jornal,com noticias de ontem que são hoje actualizadas nas estimativas do PIB. Vivo ou morto,é só uma pessoa,ou gente,tanto faz. Como o pão, que o diabo amassou na madrugada das chagas.O inferno está cheio, prestes a explodir,será gente? Pessoas,sim, talvez seja essa a forma actual. Misera sopa de pobres que lhes retira a razão. A fome,quem a tem?Eu? Tu? Não,nós somos um caminho de muitas pedras.Pessoas,gentes de cá para lá numa pura agitação. Queres? O quê? perguntas tu,sei lá...respondo eu com a garganta seca de pragas declamadas à maldita religião,que prega como São Tomás,faz o que eu digo e não o que eu faço.Ajoelhamos,pedimos perdão.É domingo,dia de almoço em família .Fome? Não...é só um dia. Pessoas,gentes,e outros que viram a cara sem saberem que de mansinho,pela calada da noite, podem também um dia,bater com a cara no chão.
Célia M Cavaco / Pontas Soltas
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