sábado, 26 de dezembro de 2015






Apego-me ao mar
baptizo-me nas lágrimas
das despedidas.
Nos recuos invento olhares.
Preparo silêncios,
toco os impossíveis
ameaço o entendimento
Sofro as hipóteses.
A ausência excede-se no tempo
perco-me na procura do peito.
Do desassossego roubo a ternura,
à alma cedo a candura perdida.
As palavras reencontram o caminho
tecendo sentimentos desbravados
o fim ou o princípio de qualquer coisa,
existo nas marés vivas do Outono.










Célia M Cavaco / Desvios







Photo: Katia Chausheva