terça-feira, 3 de novembro de 2015




O corpo preso, braços de algas que puxam e o levam ao fundo do mar.Mar de corais,onde a presa é a minha sensibilidade.Ouço o canto da sereia,e o toque de harpa num búzio milenar. Um mar translucido,onde todas as sensações navegam saindo de mim. Através do reflexo, vejo o sol a penetrar na planura da água. Sou onda a querer resistir às marés. O corpo imerso no mergulho da solidão. Cedo à permanência de ir pelo mundo,procurando a débil e complacente incerteza de voltar a ser nascente. À deriva,e em círculo, o barco deixou naufragar o corpo estéril, vestido de mãos delicadas,que silenciosamente navegam à margem da nudez da pele; As palavras, ondulam o movimento calmo e subtil do poema feito estuário da minha marginalidade.






Célia M Cavaco / Desvios






Arte( ?)