Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
domingo, 8 de novembro de 2015
Na madrugada de todos os acordares,reacende-se a luz da manhã, novo dia, novo recomeçar, respirar...O coração recomeça a bater...entra no ritmo...
O corpo reage ao frio,ao calor, à dor anterior.E agora? O que fazer com o que resta fechado dentro do cansaço? Da esperança que marca as horas do dia? Que resta de mim,que não possa reconstruir? O limite ultrapassou a boa vontade.Vou,venho,e descubro sempre uma outra certeza,a necessidade de recordar porque existo,porque me escudo no canto da melancolia,porque resisto à incapacidade de me deixar ir caminhando naquele lugar que é desencontro,só porque tem uma luz branca...Há um encontro, um desencontro,um túnel de duas saídas. No primeiro erguem-se todos os abraços,no outro,todas as distâncias ainda a percorrer.A primeira aurora embala-me,persegue-me,insiste...Procuro-me na existência do que sou...A vida flui,o enigmático acontece.Observo-me na aparente indiferença que é aquela sombra que sou...O sol nasceu,entrou pela janela da realidade.Um dia a acrescentar a outros!...fragmentos de um diário (...)
Célia M Cavaco / Desvios
