sábado, 17 de outubro de 2015





Pela noite adentro,o silêncio invade-me o espaço.Um espaço criado pela intimidade,pela excentricidade,pela vontade de viver dentro da meditação,um espaço individualista;Procuro neste silêncio, diálogos longos com a música,com os livros,com os lápis onde rabisco desenhos aleatórios.Desenhos com finalidade terapêutica; tal como as palavras um escape emocional que aprendi como defesa,para evadir-me do turbilhão emotivo com que por vezes me deparo nos silêncios.Sem voz,os desenhos são palavras,e as palavras são ecos.O teu rosto,inventei-o, desenhei-o sem nenhum esboço; mas nas palavras, ganhou vida,até ao ínfimo pormenor do que de ti espero...Libertar o poema,soltar os limites da expressão com que te identifico.Possivelmente ,peço-te que venhas sentar-te junto de mim,para ouvir o teu olhar falar o que a mim alimenta... A alma,a minha maior companheira,a mais resistente e complicada expressão de sobrevivência.Apercebo-me que sem ti,a minha energia, esvoaça na busca do poema com que penso completar a tua existência.Volto a esperar a noite,para formalizar a imagem do teu rosto.





Célia M Cavaco / Desvios





Arte: Menoevil