domingo, 25 de outubro de 2015




Nada mudou,a chuva de ontem persiste hoje com mais intensidade. Com os vidros embaciados pela respiração,a chuva teima em fazer lembrar-me de outros dias de chuva.Aqueles em gostava de ficar na cama até mais tarde,porque era domingo, e porque chovia.A combinação perfeita para um dia de preguiça. Já passou tanto tempo...
Hoje chove, incomoda-me a chuva,a hora mudou e acordei cedo porque a hora mudou...
Tento secar o corpo encharcado de tantas lembranças.Ultrapassar as nuvens escuras onde a chuva acamou todas as lágrimas sem esperança. Chove,as minhas mãos limpam o rosto molhado,a sensação de outras mãos acariciando as minhas é como uma inundação de calor,um manto de afectos que me cobre de amor,um amor de sensações e cheiros...
Já passou tanto tempo...
De tanto chover,sinto o corpo molhado de ausência de gestos, de beber as palavras frescas das tuas mãos; De tocar o manto que me cobria de sonhos.Chove,o silêncio vem buscar todas as sensações e emoções de outros tempos.Apetecia-me imenso dormir,na posição fetal encolher-me à sensação de ouvir a tua voz...a tua voz...







Célia M Cavaco / Desvios