Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
A recordação das primeiras tarde de Outono. A cor do céu típica da estação que entrou nos agasalhos leves. As primeiras laranjas,com o leve travo a amargo, mas ainda assim deliciosas. A maré baixa da formosa,os barcos a chegarem a bom porto. A azafama na distribuição,o berbigão a encher o saco que pesava sabores.As primeiras aulas,o cheiro dos livros na capa de couro,reencontrar amigos,conhecer os novos. A primeira aula,ouvir a réplica dos anos anteriores. " Sois,umas mulherzinhas,tendes de vos comportar como tal". As risadas disfarçadas,tudo como se fosse o dia anterior. Chegar a casa,rever o horário,tudo igual (...).Era um recomeço diferente,mas igual. O que mudara? O riso,a maneira de andar,as novas músicas; Crescera,fizera-se mulher.Podia usar um pouco de salto,as primeiras meias de vidro. A saia de padrão escocês,o lenço a fazer de laço,um leve tom nos lábios a completar a vaidade feminina...
Olhar para os colegas de carteira, no olhar,um brilho malicioso, a paixão,que fazia o coração saltar em alvoroço. Tudo diferente,tudo igual. O outono seria diferente; Ao longo de toda a vida recordar-se-ia que a adolescência tinha ficado para trás.
Célia M Cavaco / Desvios
