Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
domingo, 30 de agosto de 2015
A noite quente de verão,sem aragem que refrescasse o corpo ardendo em febre.O cansaço extremo de vaguear nas ruas desencontradas e escondidas nos becos da cidade estranha. Tão estranha, quanto ela estava de perdida. Um passo a mais seria um labirinto sem ponta de saída. O vestido, atrapalhava os passos apressados na calçada da rua escura.Os ruídos, era somente a respiração afogueada,e os saltos dos sapatos que lhe apertavam os pés magoados. O corpo cedeu ao cansaço,escorregou, como se o coração tivesse em paragem cardiaca.Os olhos inundaram-se na bruma das lágrimas. O medo, assustou-se ele mesmo pela inércia vontade de ali ficar .Perdeu a noção do tempo.Somente se lembrava do barulho do mar, e a lua brilhante e grande.Não sabia o nome da lua,a lua era como ela,vagueava em sombras nocturnas.Alertou os sentidos pelos passos que se ouviam ao longe do quer que fosse.Ali tudo era estranho. O calor sufocante ardia-lhe no corpo febril e cansado. Exausta é a noite que se prolonga nas estrelas,na mudança das marés, e nas horas tardias do adormecer...
Acordou assustada,sempre quisera tocar o céu para chegar à lua
(...)
Célia M Cavaco / Desvios
Foto: Nursen Bilgin
