Preciso urgentemente de saber-me poeta, urge o tempo que se esvai pelos dedos da mão. Escrever o que grito e consinto neste despir de folhas. Nua de palavras, sem abrigo de sentimentos, pária sem lugar de estar onde por aí me perco.
A urgência impera, o tempo é de Outono, sou por pouco tempo a princesa de um castelo desmoronado. Por caminhos inimagináveis fiz estrada de muitas luas, noites de todas as estrelas que iluminaram o corpo nu de preconceitos.
Preciso urgentemente de mãos que me prendam à vida, de palavras que saibam como vestir todas as minhas transparências.
Preciso de tudo e de nada, sou vento de todas as folhas que despi à passagem onde só um dia soube estar sem saber como permanecer, ficar no eterno de mim, sombra do que ainda hei-de ser, folha de um único poema.
Célia M Cavaco,In DESVIOS
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