Quando gastas as palavras,as que possam sobrar,escondem-se,existe o medo de as proferir à luz do dia,dormem à noite em forma de pesadelo.A noite deambulando no sono trocado,tenta dialogar com o que possa restar como um início de nada...os olhos ardem à madrugada,o sol,afasta-se para esconder o dia que começa. Os pássaros teimam o canto da primeira das manhãs que começa por ser a primeira de muitas que se tornarão iguais. Os verbos ficam presos na garganta,não há água que corra pelo corpo para limpar o que sobrou de um outro dia,o último dos primeiros para aprender a caminhar no habitual passo a passo perdido algures de um lugar onde se desiste Não haverá lua nem estrela que possa voltar a brilhar,o céu ganhará a cor do abandono, frio, sem que exista um só trapo para cobrir de negro o cântico do último pássaro da noite. Como se houvesse na noite o desejo não dito com a última palavra escrita à beira mar,mar onde se deixou por fazer a ultima oração...Deus também se corrompe ao abandono,Deus nas palavras que não disse,deixou apenas o silencio, um final, sem ter tido coragem de ouvir a ultima das orações...
Célia M Cavaco,In DESVIOS
Photo:(?)
Célia M Cavaco,In DESVIOS
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