sexta-feira, 8 de abril de 2016






Abro a janela, a claridade entrou com a brisa da manhã quase primavera, o mundo a agitar-se, espreguiçar-se com os pássaros que acordam apressados para a viagem do dia. Um hino à vida.Glória nas alturas, dizem os mais velhos quando os sinos tocam,  fazendo-se ouvir nas badaladas incómodas o anuncio de chuva. A janela,um mundo aberto,um diário onde a vida se escreve sem segredos. Aberta à entrada do sol, aquece o corpo frio.O frio que faz o corpo encolher-se dentro de si mesmo.Uma mudança,um presságio,é como um letreiro de uma casa desabitada há muito, sem alma que aqueça os que ainda moram dentro das quatro paredes,nunca a casa ficou desabitada,moram estórias de risos e de lágrimas.Só quem entra,sente na pele o arrepio de quem tenta com um abraço dar um calor mágico,um carinho que não se vê. Na janela onde todos os dias se inicia uma vida diferente,porque diferente somos a cada dia que passa. Um dia,talvez entre alguém nesta mesma casa,e veja o mundo como eu,e sinta o meu abraço ausente a paz que comigo morou nestas quatro paredes, e nesta janela olhou com um olhar diferente de ver e estar no mundo.A alegria de ser, e estar onde só nós sabemos estar...Uma solitária solidão, um olhar através de uma janela aberta ao mundo...









Célia M Cavaco / Desvios









Photo: Todd Wall