Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Hoje aprendi a escrever-te,deixei que as palavras falassem o que não sei dizer frente a frente.Perdi a timidez no que escrevo,deixei a mão deslizar rente ao papel,como uma carícia no rosto ténue que me assombra na luz que ilumina o quarto. Se pudesse,estas palavras seriam um poema,uns votos sagrados e eternos.Um dia,entregar-te-ei a carta que hoje ouso inventar,porque só inventando tenho a coragem de imaginar um amor que sei não existir.
Hoje, aprendi a imaginar como falar-te sem te conhecer.Quando leres esta carta,se a leres...Pensa que existo na página de um livro.É lá que vou ficar até me descobrires .É loucura imaginar que aprendi a escrever-te e nem sei o teu nome,nem se existes.Inventei-te nos sonhos que não me permito contar.São só sonhos...Um dia,um dia apenas, serei um amor poema.Um amor descabido por não ser mais nada.Apenas um amor guardado numa página de livro,um amor desconhecido,por isso mesmo um amor por escrever, inventado no dia que aprendi a ser apenas palavras inventadas.
Célia M Cavaco / Desvios
