Abrir um blog de poesia, nada de especial. Mas um blog onde se pode escrever palavras, momentos a partilhar, é um atrevimento, que poderá ser uma ousadia. A minha, onde por instantes viro uma suposta página do meu livro.
domingo, 22 de novembro de 2015
Ajoelhou-se aos seus próprios pés. Sentiu uma transcendência de si mesma, uma elevação espiritual, um cansaço emocional que afecta a tranquilidade com que se habituara a conviver.Sabia há muito que a solidão vem do coração e não do exterior. Aos poucos toma consciência da vida breve...O tempo é escasso, a proximidade da ausência é um facto.Cada gota de chuva é única e memorável.Cada folha trazida pelo vento é uma página sem livro.A história nunca será contada por si,os segredos serão cinza num qualquer lugar...Um lugar longínquo, lugares onde fora feliz; Onde sempre encontrara os melhores amigos que a souberam compreender e fazê-la feliz nas horas menos agradáveis.A amizade também é amor,também é amar o outro que dá o tempo para o refugio das palavras na hora certa. Há quem afirme que uns têm a terra,outros têm o céu. Compreende que sempre esteve na dualidade das duas vivências.Entre a terra e o céu, o caminho é só um.O manto de estrelas é o mesmo.As verdades que se pensa saber e as verdades que se contam para acreditar.A segunda opção é a mais consensual,acreditar no sonho como uma verdade absoluta.Só assim se permanece no tempo...Esse lugar que se julga conhecer e onde um dia iremos viver...
Célia M Cavaco / Desvios
Imagem : Evgeni Dinev
