quarta-feira, 30 de setembro de 2015





Chegou o cair da folha. A casa isolada antecipa a urgência de acender a lareira. Recolho-me no interior onde a luz incide sobre os nenúfares . O quadro inacabado no cavalete tapado pelo pó branco do tempo dá-lhe a aparência de abandono. O exílio tornou-me intrusa dum lugar onde em tempos habitou risos e felicidade. Ainda se ouvem passos naquele espaço onde os escombros falam segredos. A minha voz sobrepõe-se ao interdito silêncio,por isso os meus olhos buscam memórias de ti. A luz terna do teu olhar pousava sobre as pálpebras onde as estrelas brilhavam sonhos.Os meus lábios falavam beijos que pousavam suavemente na tua boca. O sono inquieta-me,adormeço,persigo a imagem que trilha o anoitecer. A lua deliberadamente senta-se ao meu lado.As tuas mãos embalam-me na leveza do silêncio. Peço-te baixinho,dá-me a tua mão...







Célia M Cavaco / Desvios














Imagem: Laura Makabresku